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“Vão monitorar a fundo”: mensagens revelam medo de “Máfia do Pix” estar na mira

Conversas extraídas de celulares mostram alertas sobre investigação e distribuição de dinheiro entre contas

“Vão monitorar a fundo”: mensagens revelam medo de “Máfia do Pix” estar na mira
Presidente de hospital avisa para diretora sobre investigação em recursos da saúde (Foto: Reprodução do pedido do MPMS)

“Vamos ter cuidado dobrado!! Eles vão monitorar a fundo'. O alerta foi enviado em 18 de dezembro de 2022 por Jacob Meeuwis Breure, então presidente do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, à diretora da instituição, Roseli Corrêa. A mensagem, acompanhada de uma reportagem sobre investigação de desvios de recursos públicos na saúde, integra as provas reunidas pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) na Operação Dirty Pix, que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos hospitalares em Sidrolândia.

O aviso não foi isolado. Conversas extraídas de aparelhos celulares apreendidos mostram que Jacob discutia com outros envolvidos os riscos de fiscalização, os valores de contratos e a movimentação de dinheiro entre diferentes contas bancárias.

Três dias depois de alertar Roseli, ele perguntou ao então assessor parlamentar Júlio Cesar Alves da Silva: “Posso esparramar em diversas contas?'. Diante da resposta positiva, acrescentou: “Te passo os Pix'.

Para o Ministério Público, a sequência demonstra que os investigados tinham conhecimento dos riscos de estarem na mira de investigações e utilizavam diferentes contas para dificultar a identificação da origem e dos destinatários dos recursos movimentados.

As mensagens constam de representação apresentada à Justiça em 3 de agosto de 2026, para viabilizar a segunda fase da Operação Dirty Pix. A investigação aponta suspeitas de superfaturamento, direcionamento de contratos e utilização de recursos destinados ao hospital para pagamento de vantagens indevidas.

O primeiro alerta identificado pelos promotores aparece em uma conversa entre Jacob e Júlio Cesar, em dezembro de 2022. Ao compartilhar uma reportagem sobre investigação de desvios milionários na saúde pública, o presidente do hospital escreveu: “Olha aí. Se não fizer correto'.

Em 18 de dezembro, Jacob voltou a compartilhar uma notícia sobre corrupção na área da saúde, dessa vez com Roseli Corrêa. Foi quando escreveu: “Vamos ter cuidado dobrado!'.

Segundo os promotores, a conversa indica preocupação com a possibilidade de fiscalização das operações financeiras relacionadas aos convênios do hospital.

No dia seguinte, 19 de dezembro, Roseli encaminhou a Jacob uma planilha identificada como “PLANO DE TRABALHO HOSPITAL urgente roseee.xlsx'. O documento continha o valor de R$ 5.468.750, correspondente ao montante posteriormente contratado com a Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos Ltda. para fornecimento de equipamentos hospitalares.

Logo depois, Roseli advertiu: “Não pode ser diferente do plano de trabalho. Pois não fecha prestação de contas'.

Diferentes contas – As conversas sobre a movimentação dos valores ganharam novos detalhes em 21 de dezembro de 2022. Na ocasião, Jacob informou a Júlio que havia conseguido providenciar dinheiro por intermédio de um gerente bancário. “Deu certo. Emerson arrumou', escreveu. Em seguida, acrescentou: “Já vou lá assinar o cheque e ele leva o dinheiro no posto'.

Júlio perguntou: “Qual conta mandamos? Na do posto?'. Jacob respondeu afirmativamente e questionou se o assessor tinha a chave Pix correspondente.

A referência era ao Auto Posto Global, estabelecimento de propriedade de Jacob em Sidrolândia. Segundo a investigação, empresas ligadas ao então presidente do hospital eram utilizadas para movimentar recursos relacionados ao esquema.

Na continuação da conversa, Jacob afirma: “Manda fazer pagamentos menores'. “Picados, né?', responde Júlio.

Para o MP, o diálogo é um dos indícios mais claros da utilização de múltiplas contas bancárias para fragmentar pagamentos e dificultar a identificação dos beneficiários finais. Veja:

A investigação aponta que a circulação dos recursos não se limitava às contas do hospital ou das empresas fornecedoras. O dinheiro também teria passado por contas de terceiros sem relação comercial com os contratos, antes de ser sacado ou transferido novamente.

Um dos episódios descritos envolve R$ 350 mil que saíram da Pharbox e passaram por contas de terceiros. Conforme depoimento prestado ao Ministério Público, parte dos valores foi sacada e posteriormente entregue em espécie a um dos investigados em um estacionamento de supermercado de Campo Grande.

Outro lado – Em manifestação anterior ao Campo Grande News, a Pharbox negou envolvimento em irregularidades e afirmou que os equipamentos foram entregues e instalados em 2023. A versão da empresa diverge dos apontamentos do Ministério Público sobre a autoclave.

Já o diretor do hospital negou qualquer irregularidade ao ser preso e afirmou que tudo seria esclarecido. Seu advogado, Wellison Muchiutti, disse que ele estava com a consciência tranquila e colaboraria com a investigação.

A defesa de Júlio Cesar Alves da Silva informou, na ocasião da prisão, também no dia 7 de outubro, na deflagração da segunda fase da Dirty Pix, que ainda não tinha acesso aos fundamentos da medida judicial, em razão do sigilo do processo.

O espaço segue aberto para as manifestações dos demais citados e acréscimos nos pronunciamentos anteriores.

 

 

CAMPO GRANDE NEWS

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